quinta-feira, 28 de julho de 2016



Uma nota sobre o Avesso

Hoje, 28/7 fui com minha queridíssima turma desse semestre ver a Exposição da Mariana Guimarães. “Como habitar Abismos” no lindo Castelinho do Flamengo. Muito inspirador ouvir Mariana falar de cada sala, cada escolha feita junto à curadora. De certo, essa por sua vez uma parceira atenta e presente. Acompanho desde sempre, desde a primeira gota de desejo de carregar agua na peneira, ou nas bacias perfuradas, o trabalho de Mariana, e me foi revelador ouvir falar sobre o trabalho no cuidadoso texto de apresentação de Beatriz Lemos.
Finda a leitura, nosso grupo de 12 mulheres e 3 crianças percorreu o aconchegante espaço por mais ou menos 1 hora e meia.  
Cada contemplação, silencio coletivo, espaço para o acesso das associações passadas e futuras eram permeados pela escuta atenta do Avesso do que víamos. E o que víamos? Vimos paninhos na parede ao lado na lareira, e dentro dela também. Vi o quadro da folha de bananeira. Vi uma peneira rosa no meio das outras verdes. Vi um risco tradicional de ponto rococó revirado em bacias. Vi o Zé retirar uma folhinha do bordado tecido e levar até a varanda. Folhinha voou... voou.
Muitos assuntos em torno da imagem tecida! Um suspiro de contemplação e impulso. Falamos finalmente do assunto do qual venho tratar essa noite (como diria Nasrudim:” Vocês sabem sobre o assunto do qual venho tratar essa noite? E uns dizem: sim! Outros:  Não! E ele Por favor: a parte que sabe conte para aquela outra parte que não sabe”)
Este o assunto, afinal_ O avesso. O avesso do bordado. Na tradição, o bordado se reconhece pelo avesso. Na tradição, avesso e direito eram idênticos. Na tradição, o avesso revela o modo de fazer do direto. Hoje, fazemos nova leitura do avesso. Nos interessa o avesso emaranhado, nós e fios longos. O avesso esquecido durante o processo de entradas e saídas da agulha que persegue o risco do direito. Finda a obra, o avesso aparece como surpresa, o lado esquecido se fez sem nossa atenção, ou lembrança. Encantamento! Ele sempre esteve aqui?
O Avesso escondido foi lembrado como guardião da moral. Acrescento que guarda também o segredo. Ou ainda, já que estamos tratando de tradição_ guarda o mistério. Mistério de fogueira acessa, “silêncio de cortar com faca”. E na tradição, o mistério está guardado. O bordado é fruto de um trabalho manual que vem sendo realizado há muitos e muitos anos, por gerações e gerações. Assim como os contos de tradição oral, contados repetidas vezes ao longo dos tempos.
É no avesso que as histórias guardam o seu segredo. Acessamos, sim, seu mistério quando temos disponibilidade para entrar nelas. E quando temos a flexibilidade de nos colocar diante de um conto de tradição e perguntar, como diz Regina Machado: “o que você tem para mim? E o que eu tenho para você?”. Nesse instante de flexibilidade e deslocamento acessamos brevemente e com encantamento esse lugar de mistério que está entre o avesso e o direito.
Na tradição, Ponto Sombra é o avesso do Ponto Escama e Vice-versa. E os dois pontos são feitos na precisão de um determinado gesto especifico. As mãos da bordadeira tecem uma imagem no lado direto e uma outra imagem no lado avesso.
Quando ponto-cheio imagem semelhante, se ponto-palestrina imagem diferente. Desse modo, há muitos e muitos anos, ora acima, ora abaixo do tecido, na travessia da agulha, as mãos tecem semelhanças e diferenças do mesmo. Juntos os lados opostos do tecido estiveram e estarão sempre juntos. Como reparar em um sem o outro? “Agora a parte que não sabe, conta para a parte que sabe...” ou vice-versa.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

domingo, 9 de junho de 2013

sábado, 27 de abril de 2013

agulha do real nas mãos da fantasia

 Esta foi a primeira imagem bordada para o livro da canção:
 

"A linha e o linho" de Gilberto Gil

depois de escutar mil vezes a música e ouvir muitas outras canções do compositor as imagens ganharam outra forma. Em breve postarei os finalmente e ainda em breve o livro pronto.

Sereiazinha uma história bordada


   Essas ilustrações bordadas foram feitas para o livro da Andrea Toledo. A história é uma graça e inspirou um trabalho com tecidos, fios de algodão e de seda, tinta aquarela silk e outras coisitas mais...

terça-feira, 10 de julho de 2012

gavetas em degrade!

                                           !!! Me pergunto por quanto tempo ficarão assim ?!

domingo, 8 de abril de 2012

Metáfora de transformação!














"o ato de tecer é uma metáfora de transformação, e transformação é trabalho de mulher... Em seus maiores momentos, como rainha, transforma uma gota de protoplasma em um novo ser humano no forno quente que é seu útero, converte o alimento que ela própria come em leite que flui de suas mamas."  Fiando Palha Tecendo Ouro de Joan Gould
Lembrei-me dessa dupla de barrigudas que faltando um mes pro nascimento de suas gostosuras Gabi e Manu (agora com 10 meses) me presentearam com suas potencias de TRANSFORMAÇÃO!

domingo, 4 de dezembro de 2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011